8 de março: Dia Internacional da Mulher

A data surgiu pela primeira vez a 19 de março de 1911 na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça. Desde esse ano, o dia tem vindo a ser comemorado em vários países do mundo, de forma a reconhecer a importância e contributo da mulher na sociedade. Outro dos objetivos por detrás da origem do Dia Internacional da Mulher é recordar as conquistas das mulheres e a luta contra o preconceito, seja ele racial, sexual, político, cultural, linguístico ou económico. Em 1975, as Nações Unidas promoveram o Ano Internacional da Mulher e, em 1977, proclamaram o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher.

Em teoria nascemos todos iguais: página em branco, disposta para construção de uma personalidade, de vivências e de histórias. No entanto, a nossa sociedade ainda é machista e a história da humanidade relata como as mulheres foram dominadas pelos homens.

Durante a evolução da sociedade, as mulheres nunca se conformaram com a situação de inferioridade, mas nem sempre tiveram oportunidade de expressar-se. Foi a partir do momento em que puderam fazer as suas vozes serem ouvidas, que não mais se calaram e, desse momento em diante, a vida das mulheres foi mudando lentamente.

Em Portugal não era permitido o sufrágio feminino. Em 1911, o regime republicano concedeu esse direito aos portugueses com mais de 21 anos que soubessem ler e escrever e aos chefes de família, sem especificar o sexo dos eleitores. Esse argumento foi utilizado por Carolina Beatriz Ângelo para exercer o direito de voto, pois era viúva e chefe de família. Porém, a partir de 1913, o regime republicano especificou que apenas os «chefes de família do sexo masculino» podiam eleger e ser eleitos. Só depois do 25 de abril de 1974, com a lei n.º 621/74 de 15 de novembro, o direito de voto se tornou universal em Portugal.

O século XXI traz uma nova realidade, com mulheres plenamente inseridas no mercado de trabalho em diversas áreas, a liderar empresas, mulheres independentes, integradas na sociedade, na economia e na política. Hoje contribuem de forma decisiva e indispensável para o orçamento familiar. Também a composição familiar sofreu uma mutação. São hoje inúmeras as famílias monoparentais, em resultado de divórcios, de relações que não perduraram ou simplesmente de mulheres que, por um motivo ou outro, vivem sem companheiro. Essas são chefes de família na plena aceção do termo.

No entanto, o novo papel que a mulher desempenha e o contributo crescente que dá à sociedade em geral não são acompanhados pelo devido reconhecimento e, sobretudo, pelo devido respeito. As mulheres estão sujeitas ao cumprimento de uma extensa lista de requisitos tácitos, mas nem por isso menos rígidos, nas formas de falar, andar, sentar, cumprimentar a que os homens não estão, nunca estiveram, nem nunca aceitariam estar. É como se, de alguma forma, a sua feminilidade fosse tolerada, mas sem exageros, devendo ser demonstrada de forma regrada e temperada, sobretudo se a mulher em questão desempenhar uma função hierárquica superior.

Apesar da sua contribuição para a família, as empresas e a sociedade em geral, a mulher ainda é considerada uma força de trabalho secundária, mais cara e menos produtiva. Um eurodeputado polaco afirmou em fevereiro de 2017, no Parlamento Europeu, que as mulheres devem ganhar menos do que os homens pois são “mais fracas, mais pequenas e menos inteligentes”, dando como exemplo o facto de não haver nenhuma mulher nos 100 melhores jogadores de xadrez! As mulheres na União Europeia ganham em média menos 16% do que os homens.

O ideal será que homens e mulheres tenham igualdade de condições em todas as atividades da vida pública e privada e que vivam em harmonia. Que as lutas sejam travadas em conjunto por cidadãos com o objetivo comum de construírem uma sociedade mais justa, independentemente de serem do sexo feminino ou masculino.

Não há como negar que, nas últimas décadas, as mulheres têm desbravado novos caminhos e superado muitas dificuldades e barreiras. As mulheres «só» querem uma sociedade igualitária. Elas não querem, nem devem, masculinizar-se. A diferença é o que nos une. A complementaridade é o que nos fará sobreviver.

A mulher moderna tem personalidade, é ágil, segura, confiante e possuidora da capacidade de enfrentar os desafios dos novos tempos, sem nunca perder a sua feminilidade.

Um mundo sem mulheres não pode existir.

A todas vós, bem hajam!

Vitor Santos