Filandorra anuncia estreia de “Amor de Dom Perlimplim com Belisa em seu Jardim” em Lamego

Hoje, dia em que se assinala os 120 anos do nascimento de Federico Garcia Lorca, e com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Lamego, Ângelo Moura e da Vereadora do Pelouro da Cultura Ana Catarina Rocha, a Filandorra – Teatro do Nordeste anunciou em “pleno palco” do Teatro Ribeiro Conceição aquela que é a sua 70ª produção, a primeira em Residência Artística no TRC, Amor de Dom Perlimplim com Belisa em seu Jardim da autoria deste grande dramaturgo espanhol, a estrear no próximo dia 21 de Junho.Esta estreia configura a nova dinâmica de programação preconizada pelo TRC que, a partir da parceria estabelecida este ano entre o Município de Lamego e a Filandorra – Teatro do Nordeste, depois de dez anos de interrupção, pretende afirmar-se na região como centro dinamizador e promotor do teatro, a partir de uma nova política de ação cultural na área das artes do palco na região de que a cidade de Lamego é naturalmente a sua capital cultural.
Esta parceria iniciada em Janeiro deste ano permitiu já a implementação do projecto CEDITES – Centro de Divulgação de Teatro para as Escolas, que desde janeiro já levou ao “scala” do Douro mais de 3 000 alunos, desde o pré-escolar ao ensino secundário, em ciclos de teatro organizados num total 16 sessões pedagógicas, e a centralização em Lamego das Comemorações do Dia Mundial do Teatro com o À Manhã de José Luís Peixoto, e a 27 de Março com a iniciativa Dia Aberto que abriu o teatro com várias actividades para todos os públicos.
O processo criativo desta nova produção da Filandorra é realizado em Residência Artística no TRC, dinamizando e reforçando as dinâmicas e metodologias criativas numa relação directa com a equipa técnica deste teatro.
O texto de Lorca é um hino ao Amor que o autor construiu “a partir de memórias quase infantis das aleluias”, espectáculos populares do século XIX. Se no início se assemelha a uma comédia ao gosto popular, transforma-se progressivamente numa tragédia, quer no conteúdo quer na forma, para tratar um tema simples e popular, através de uma forma poética que requer do espectador não apenas a passividade distanciada da acção, mas exige dele muita sensibilidade e disponibilidade, já que o tema é mais sugerido do que representado. Marcolfa, a criada, pretende casar seu amo D. Perlimplim, e já Mãe de Belisa se quer ver livre da filha, assim nasce um casamento de interesse. Belisa é nova, ardente e maliciosa, enquanto Perlimplim se contentará com os livros: apesar da idade, é inexperiente com as mulheres. O que tinha de acontecer acontece… Trata-se de uma das mais belas histórias da literatura dramática espanhola, numa tradução de Eugénio de Andrade, poeta do sal na língua portuguesa.
A proposta cénica do espetáculo, que inicia em pleno centro histórico de Lamego, mais propriamente na praça frontal do TRC, envolve o público num prólogo em que actores/duendes, figuras do imaginário lorquiano, cantam e dançam transportando os espectadores para a escadaria e varandas da frontaria do Teatro e de forma lúdica e histriónica “invadem” o espaço interior e instalam-se pelos camarotes, plateia, frisas e balcões. Nesta encenação, a enigmática sala à italiana do TRC é explorada na sua totalidade através de jogos cénicos a partir do sub-palco, utilização da “sumptuosa” escada de ferro em caracol e a complexidade da “teia” e alçados direito e esquerdo, pondo a nu toda a caixa negra de palco. Também as arcadas exteriores do velho e renovado edifício são utilizadas como cenário para a celebração do casamento e boda, culminando o espectáculo com o cerimonial fúnebre/elegia da libertação da figura do velho Perlimplim que desaparece envolto numa “coroa de flores como o sol do meio-dia”.
Com encenação de David Carvalho e assistência de encenação de Bibiana Mota, Amor de Dom Perlimplim… conta com as interpretações de Bruno Pizarro, Débora Ribeiro, Helena Vital Leitão, Anita Pizarro, Silvano Magalhães, Sofia Duarte e Rui Moura.
Depois de cinco anos de ausência de apoios por parte da tutela nos vários concursos, Amor de Dom Perlimplim com Belisa em seu Jardim é a primeira produção da Filandorra que conta com o apoio da DGartes/ Ministério da Cultura no âmbito do Programa de Apoio Sustentado | Teatro, numa candidatura que alcançou a 28ª posição em 89 candidaturas, e que prevê para o biénio 2018/2019 a estreia de mais quatro produções que vão dinamizar a maior Rede Protocolada do país e que o júri da Dgartes classificou de “notável”: Amadeo e o Mundo às Cores de José Jorge Letria no Museu Amadeo de Souza-Cardoso em Amarante, Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett no Claustros do Convento de São Gonçalo em Amarante, Mestre Grilo Cantava e a Giganta Dormia de Aquilino Ribeiro na terra natal do autor, Sernancelhe, e Com o Amor não se brinca de Musset no Teatro de Vila Real.