Linha da Beira Alta – Acção de Contacto com as/os utentes

No dia 29 de Agosto, a Comissão Coordenadora Distrital de Viseu do Bloco de Esquerda e a candidatura do BE por este círculo eleitoral realizou uma viagem de comboio pela Linha da Beira Alta, no percurso Mangualde-Mortágua, contactando com as/os utentes desta linha e a população de Mortágua de forma a auscultar quais as reais necessidades, queixas ou sugestões, assim como a visão do Bloco de Esquerda para esta linha.

Numa nota enviada á imprensa refere que os problemas na Linha da Beira Alta, tal como  foi relatado pelos/as utentes, têm sido constantes durante toda a sua história apesar desta linha internacional se afirmar como o principal acesso por caminho de ferro entre Portugal e o resto da Europa. Desde o desabamento de terras/pedras e descarrilamento de comboios, interrupções motivadas por incêndios florestais que se devem à deficiente limpeza florestal junto à linha ou os crónicos transbordos de autocarro que tentam substituir o serviço ferroviário enquanto se remendam as linhas, são muitas as questões que condicionam a vida de quem realiza este percurso.

As requalificações a que esta linha tem sido sujeita têm resolvido alguns dos problemas pontuais, mas não intervêm estruturalmente acabando por privar as populações dos serviços que anteriormente usufruíam.

Enquanto sugestões, pela população, foram confirmadas as necessidades que o Bloco de Esquerda tem identificado. O reduzido número de utilizadores/as aponta como um dos principais factores de abandono deste serviço a falta de horários e os atrasos constantes. Não há coordenação entre transportes públicos regionais com a Linha da Beira Alta e a coordenação dos horários entre as próprias linhas é deficitário, dificultando ainda mais a utilização do transporte ferroviário. Em Mortágua não existe bilheteira e em Mangualde o horário da bilheteira torna-se muitas vezes um obstáculo à compra dos bilhetes, devendo portanto se adaptada aos horários dos comboios.

A requalificação de alguns troços da linha encontra-se em processo, no entanto a requalificação de toda a linha é uma necessidade e continuam a existir regiões nas quais não está prevista, condicionando a segurança das linhas e obrigando a que em alguns troços seja necessário realizar transbordo. Em relação à segurança das/os utentes é urgente a limpeza da vegetação junto à linha, especialmente numa época de verão e tendo em conta a exagerada presença, em praticamente todo o percurso, de espécies que rapidamente ardem e ajudam a propagar incêndios, como o são os eucaliptos.

A utilização do serviço de transporte ferroviário é limitada para pessoas com mobilidade reduzida, tendo-nos sido explicado que as/os utentes nesta situação terão de previamente avisar qual o comboio e qual o horário que vão utilizar. Esta situação revela-se uma redução da autonomia, liberdade e privacidade das pessoas, reduzindo drasticamente a sua livre vontade.

Um dado interessante que verificámos durante a viagem foi o facto da larga maioria das/os utilizadoras/es deste serviço serem pessoas do Distrito de Viseu e da Guarda que necessitam de se deslocar para Coimbra de forma a acederem aos cuidados médicos de que necessitam. Além do serviço nacional de saúde ser centralizado, há uma grande falta de transportes públicos que diminuam a distância a que as populações estão destes serviços essenciais.

As duas estações visitadas encontram-se afastadas de qualquer local de restauração/bar, no entanto não existe um bar ou cafetaria que sirva as/os utente.

Também a necessidade de tornar a rede nacional como parte da Rede Trans-Europeia de Transporte (RTET-T) e a criação do Corredor Internacional Norte (Aveiro-Viseu-Mangualde), com a construção de 86 km e ampliação da linha até Vilar Formoso se mostra um factor de valorização destas regiões.

O investimento público na Linha da Beira Alta é imprescindível e urgente para contrariar as tendências recessivas das políticas de austeridade que ainda sofremos. É o combinar da garantia do acesso a bens públicos essenciais com a criação de novos postos de emprego como objectivo estratégico fundamental.

Comissão Coordenadora Distrital de Viseu do Bloco de Esquerda