Maria do Céu Guerra vence a 4ª edição do Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural

 

Instituído pela Estoril Sol, o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural foi atribuído a Maria do Céu Guerra, actriz e encenadora, que desenvolveu, ao longo de mais de cinco décadas, uma carreira ímpar ligada às artes.

O Júri deliberou atribuir o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural, em quarta edição, à actriz Maria do Céu Guerra, “por se ter destacado, ao longo da vida, numa prática de cidadania cultural, enquanto actriz, que levou à cena e por diferentes modos divulgou os grandes textos da literatura portuguesa e, nessa intervenção, que manteve em ”A Barraca” como núcleo de irradiação cultural, formativo e vocacionado para a descoberta e criação de novos públicos”.

Maria do Céu Guerra de Oliveira e Silva nasceu, em Lisboa, a 26 de Maio de 1943 e foi aluna da Faculdade de Letras em meados da década de 60, onde frequentou o curso de Filologia Românica. Foi, ainda, neste período que começou a interessar-se por teatro e que integrou o grupo fundador da Casa da Comédia.

Posteriormente, em 1965, estreou-se nessa companhia, participando na peça “Deseja-se Mulher”, de Almada Negreiros, encenada por Fernando Amado. Nos cinco anos seguintes, profissionalizou-se no Teatro Experimental de Cascais, onde participou num vasto conjunto de peças dirigidas por Carlos Avilez, das quais se destacam “Esopaida”, de António José da Silva (1965); “Auto da Mofina Mendes”, de Gil Vicente; “A Maluquinha de Arroios”, de André Brun; e “A Casa de Bernarda Alba”, de García Lorca (1966), “D. Quixote”, de Yves Jamiaque e “Fedra”, de Jean Racine (1967), “O Comissário de Polícia”, de Gervásio Lobato e “Bodas de Sangue”, de Federico García Lorca (em 1968) e “Um Chapéu de Palha de Itália”, de Eugène Labiche (1970).

Já na década de 70, passou, durante um breve período, pelo teatro de revista e comédia, colaborando com Laura Alves e Adolfo Marsillach, na peça “Tartufo”, de Moliére, com grande sucesso no Teatro Villaret, mas acabou por regressar à Casa da Comédia, onde trabalhou com Morais e Castro e Luís de Lima.

Em meados dos anos 70, integrou o grupo fundador do Teatro Adóque e fundou, em 1975, a companhia de Teatro “A Barraca”, onde centra, ainda hoje, a sua actividade teatral. Através desta companhia, interpretou peças como “D. João VI” (1978), de Hélder Costa; “Calamity Jane” (1988); “A Cantora Careca” (1992), de Eugene Ionesco; e “O Avarento” (1994), de Molière, entre muitos outros.

A 24 de Agosto de 1985, foi distinguida como Dama da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e, nove anos depois, recebeu o título de Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique. Em 2006, estreou, na Comuna, “Todos os que Caem”, de Samuel Beckett, com encenação de João Mota, sendo premiada com um Globo de Ouro pela sua interpretação. Com “A Barraca” percorreu inúmeros Festivais Internacionais de Teatro, destacando-se as digressões realizadas em África e na América do Sul.

Apesar da sua predilecção pelo teatro, Maria do Céu Guerra foi duplamente premiada no âmbito cinematográfico, arrecadando o Globo de Ouro de Melhor Actriz de Cinema e ainda o Prémio Sophia de Melhor Actriz pelo seu desempenho no filme “Os Gatos não têm Vertigens” (2015).

Participou, também, noutras produções televisivas e cinematográficas, das quais se destacam, no cinema, “O Mal-Amado” (1972), que assinalou a sua estreia no género, tendo participado também na “Crónica dos Bons Malandros” (1984) e no “Anjo da Guarda” (1999). Na televisão, para além da peça “O Pranto de Maria Parda” (1998), de Gil Vicente, protagonizou séries e novelas como “Residencial Tejo” (1999-2002), “Vamos Contar Mentiras” (1985), “Calamity Jane” (1987), “Jardins Proibidos” (2014-2015), “A Impostora” (2016), entre muitos outros.

Instituído pela Estoril Sol, o Prémio, com periodicidade anual, foi criado em homenagem à memória de Vasco Graça Moura e é divulgado no dia em que celebraria o seu aniversário. Recorde-se que nas edições anteriores foram distinguidos, Eduardo Lourenço, José Carlos Vasconcelos e Vitor Aguiar e Silva.

O Júri que atribuiu o Prémio, presidido por Guilherme D`Oliveira Martins, foi integrado por Maria Alzira Seixo, José Manuel Mendes, Manuel Frias Martins, Maria Carlos Gil Loureiro, Liberto Cruz e, ainda, por Lima de Carvalho e Dinis de Abreu, pela Estoril Sol.

Nos termos do Regulamento, o Prémio Vasco Graça Moura “visa distinguir um escritor, ensaísta, poeta, jornalista, tradutor ou produtor cultural que ao longo da carreira – ou através de uma intervenção inovadora e de excepcional importância -, haja contribuído para dignificar e projectar no espaço público o sector a que pertença”.