Nos 500 anos da circum-navegação seguimos viagem à boleia de galeões

Surgem timidamente nas iluminuras que ilustram os livros de horas… Ganham espaço e conteúdo na pintura ao longo do século XVI. Autonomizam-se da «paisagem», ganham identidade própria nos séculos XVII e XVIII. Partilham com os homens da ciência, geógrafos, cartógrafos, matemáticos, físicos, percursos e saberes. São as “Marinhas” e estão em destaque, em abril, na rubrica 12 Meses 12 Peças, no âmbito do projeto do Museu de Lamego que assinala os 500 anos da viagem da circum-navegação.

 

As duas pinturas do Museu de Lamego evocam o imaginário das viagens, uma espécie de gravação em imagens das crónicas do tempo, transportando os visitantes para os mares intempestivos descritos pelo cronista Antonio Pigafetta, que acompanhou Fernão de Magalhães.

 

Provenientes do antigo Paço Episcopal, as duas pinturas terão decorado as suas salas e contribuído para o seu enobrecimento, beneficiando de prelados cultos, ligados ao poder e com gosto pelo colecionismo e pela modernidade, que procuraram dotar o seu palácio do aparato necessário à sua condição de príncipes da igreja.

 

Cumprindo uma missão pedagógica e decorativa, a pintura foi um meio recorrente no arranjo dos espaços interiores, presente na preocupação dos prelados. Representativas da escola holandesa do século XVII, de pequeno formato, atribuídas a um seguidor de Porcellis, transportam-nos para os mares tempestuosos enfrentados pelos galões holandeses, cuja bandeira continua hasteada no topo do mastro.

 

Retiradas das reservas em 2017, são em abril Peça do Mês, continuando assim a viagem evocativa dos 500 anos da circum-navegação. Texto completo disponível em http://www.museudelamego.gov.pt/marinhas/.