Nova ligação rodoviária Viseu – Coimbra: declaração do Presidente da Câmara de Viseu

O Presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques, em face das recentes iniciativas do Governo e da Infraestruturas de Portugal no dossier da nova ligação rodoviária Viseu – Coimbra, entende relevante e oportuno fazer a seguinte declaração pública.

1. O Governo em funções abandonou o projeto da nova ligação rodoviária Viseu – Coimbra, em perfil de auto-estrada, designada de “Via dos Duques”, desperdiçando e desvalorizando o consenso regional obtido, entre os diversos presidentes das câmaras municipais, e uma disponibilidade de investidores na concretização de uma infraestrutura estruturante para a conetividade da região, para a competitividade da sua economia e para a segurança rodoviária nacional, numa alternativa ao atual IP3.

2. Em troca da “Via dos Duques”, o Governo teve a iniciativa de lançar novos estudos. Estudos que, desaproveitando o consenso regional obtido, tão pouco têm envolvido em diálogo aberto os municípios da região. Pior do que isso é que, por vez de um verdadeiro projeto de ligação regional, o que está a ser projetada é uma meia auto-estrada, uma meia ligação que exclui Viseu, cidade e região, a sua economia e a sua população.

3. Recentemente, em audiência solicitada à Infraestruturas de Portugal, foi o Município de Viseu informado da existência dois traçados alternativos para a construção desta ligação – uma a norte e outra a sul de Coimbra. Em ambos os casos, o projeto prevê uma ligação do IC12 em Santa Comba Dão à A13, até Ceira, a sul de Coimbra, ou por norte a Coimbra e daqui até Ceira, através de uma nova variante.

Independentemente das vantagens de uma ou outra opção, que é facto é que, na prática, este estudo projeta apenas meia auto-estrada. Isto é, um traçado parcial, incompleto, que liga Santa Comba Dão a Coimbra, mas esquece a ligação a Viseu e ao IC12.

Por outro lado, conclui-se que as opções projetadas neste estudo prévio decalcam na prática a solução já antes pensada para a Via Duques.

4. O fecho do IC12 entre Canas de Senhorim e Mangualde, a construção do IC37 (entre Viseu e Nelas) e a ligação ao IP5 (Mangualde), constituem nesta fase, segundo os dados conhecidos, uma eventualidade postergada num futuro sem calendário, a estudar, e sobre a qual não se conhecem quaisquer planos concretos.

5. A gravidade desta exclusão deve ser pública e notória. Meia solução não é, não será nunca uma solução. Ao deixar Viseu a uma distância de 40 quilómetros da pseudo ligação “Viseu – Coimbra”, não se resolve verdadeiramente o problema da ausência de uma infraestrutura segura e rápida em alternativa ao IP3, nem se contribui para a coesão territorial da região e do país.

As intenções apresentadas constituem, evidentemente, um desrespeito e uma descriminação negativa para com a cidade-região de Viseu, mas também um erro político e económico. A sustentabilidade de investimentos desta dimensão reclama a conetividade à cidade-região de Viseu, que é um pulmão demográfico e industrial de toda a região.

6. O Município de Viseu não se conformará com esta exclusão praticada pelo Estado Central e pugnará, juntamente com atores económicos e população, por uma alteração que reponha e faça justiça ao concelho e à região.