Populações de S. Pedro do Sul sem os apoios prometidos após os incêndios

A aldeia do Fujaco, concelho de S. Pedro do Sul, não recebeu, até hoje, os apoios prometidos pelo Estado, destinados a minorar os prejuízos causados pelos incêndios. Nem os habitantes do Fujaco, nem os de outras povoações igualmente devastadas pelos fogos, como a aldeia de Açores, foram ressarcidos, porque não reuniam os critérios de elegibilidade inerentes às candidaturas.
Indignado com a situação, o presidente da Junta de Freguesia (JF) do Sul disse ao NV, que quem decidiu sobre as medidas de apoio e respectivas candidaturas não conhece a realidade.
“Antes de decidirem nos gabinetes, deviam vir cá conhecer isto, para tomarem decisões de acordo com as verdadeiras necessidades das pessoas que aqui vivem”, diz Pedro Maurício Pereira.
O autarca adianta que a Junta de Freguesia se disponibilizou para ajudar a preencher os formulários, mas, além dos prazos serem demasiado curtos, a grande maioria da população não reunia os requisitos exigidos. Os apoios, segundo o presidente da Junta, destinavam-se a quem apresentasse um projeto na área agrícola e tivesse uma atividade organizada como agricultor, o que não se enquadra no perfil dos habitantes. “Aqui, as pessoas limitam-se a praticar, apenas, uma agricultura de subsistência”, explica Pedro Maurício Pereira.
Apenas os criadores de animais receberam algum apoio, nomeadamente, fardos e farinha enviados pela Câmara de S. Pedro do Sul e por uma empresa do Alentejo.
José Soares, morador no Fujaco, perdeu dezenas de hectares nos incêndios e tentou candidatar-se. Em vão. “Os apoios não se enquadravam na minha situação e fazer um projeto é complicado. Vieram uns fardos de palha para o gado, mas, de resto, não recebi nada, nem tenho esperança de vir a receber”.
O descontentamento do presidente da JF do Sul é partilhado pelo seu colega da União de Freguesias de Carvalhais e Candal, Carlos Almeida. “Anunciaram os apoios com grande pompa e circunstância; fomos à Extensão Rural da Direcção Regional de Agricultura; chamamos as pessoas que vieram a correr com a esperança de serem ressarcidas dos prejuízos; tentámos ajudá-las a preencher os documentos, mas, depois, disseram-nos que era preciso que os candidatos estivessem coletados, tivessem seguros e uma data de entraves. Em suma, não havia condições de elegibilidade e ninguém recebeu nada”, lamenta.
Carlos Almeida afirma que tencionam contactar o Presidente da República, que na altura visitou a área ardida, para lhe dar conhecimento da situação e sensibilizá-lo no sentido de conseguir uma solução.
Sofia Meneses
(ver mais na edição em papel)