Removidas 1.600 toneladas de resíduos perigosos de Canas de Senhorim, Nelas

A remoção de 1.600 toneladas de resíduos perigosos que estavam nas instalações da antiga Companhia Nacional de Fornos Elétricos, em Canas de Senhorim, concelho de Nelas, terminou hoje, disse à agência Lusa fonte da empresa responsável pela operação.

Ricardo Furtado, responsável da empresa Electrão – Recolha e Reutilização que acompanhou a operação, explicou que a remoção dos resíduos, que estavam espalhados por vários armazéns de uma área de três hectares, propriedade da Caixa Geral de Depósitos, durou várias semanas.

“A operação de máquinas e transporte decorreu durante cinco semanas. No local estiveram entre cinco a dez pessoas em permanência, com máquinas de remoção e de acondicionamento”, contou, acrescentando que, previamente, houve um trabalho de caracterização dos resíduos e de determinação dos locais para onde os transportar.

A complexidade desta operação “foi a ponte de transporte, que envolveu 62 camiões pesados”, que levaram os resíduos para vários locais do país, frisou.

Segundo Ricardo Furtado, das 1.600 toneladas de resíduos perigosos, “1.300 eram vidros de CRT (tubo de raios catódicos)”, que eram usados no interior dos televisores antigos e que são considerados perigosos, porque têm chumbo.

“Devido às condições em que estiveram acondicionados durante tantos anos, a solução encontrada foi a sua deposição em aterro de resíduos perigosos”, explicou, contando que foram levados para o aterro da Chamusca.

O mesmo destino tiveram as cerca de 250 toneladas de vidros de lâmpadas florescentes, que têm mercúrio, também considerado um resíduo perigoso.

“Não conseguimos uma solução de reciclagem destes resíduos porque eles estiveram lá durante muitos anos, estavam contaminados, estavam misturados”, justificou o responsável.

As restantes toneladas eram “uma mistura de vários resíduos, como consumíveis de impressão e pequenos equipamentos eletrónicos, que foram separados e enviados para várias empresas de reciclagem do país”, acrescentou.

Ricardo Furtado destacou a importância da operação que hoje termina, que permitiu “a remoção de um passivo ambiental que se arrastava há muitos anos naquela zona”.

“A população pode dormir um pouco mais descansada a partir de agora”, realçou, acrescentando que haverá uma segunda fase de trabalhos para remoção dos resíduos não perigosos, como madeiras e restos de construção e demolição, que já não será a cargo da Electrão.

Em junho, a Quercus tinha-se mostrado preocupada com “evidências de abandono ilegal de resíduos” e “suspeitas de contaminação por mercúrio e chumbo” nas instalações da antiga Companhia Portuguesa de Fornos Elétricos e pediu esclarecimentos ao Ministério do Ambiente e da Transição Energética.

Na altura, a Quercus referiu estar surpreendida “com o facto de a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, tendo conhecimento da existência de resíduos potencialmente contaminados com metais pesados como mercúrio e chumbo no interior destas instalações, só em maio deste ano ter aplicado multas ao detentor dos resíduos”, a Caixa Geral de Depósitos.

 

 

Lusa