TEMPESTADES, TUFÕES, FURACÕES…E OS ABRIGOS ?

  • As alterações climáticas têm deixado alguma preocupação, designadamente nos países do
    Sul da Europa, onde nos incluímos.
    No ano passado, os incêndios mais graves de que há memória. No corrente ano, não só
    os incêndios, como o furação Leslie, muito recente que fustigou de novo grande parte da
    região centro, com a coincidência de se ter registado um dia antes da tragédia de 15 para
    16 de Outubro do ano transato. De facto, se houve coincidência quanto à data, também se
    pode considerar estranho o facto de atingir no território nacional a mesma latitude, ou
    seja, praticamente a mesma região que há um ano atrás ficou destruída, ceifando dezenas
    de vítimas e elevados prejuízos materiais.
    Desta vez, o epicentro do fenómeno localizou-se no Distrito de Coimbra, sendo a Figueira
    da Foz, Montemor, Soure e Coimbra, as regiões mais afetadas, com estragos que
    atingiram centenas de milhões de euros de prejuízos. Desde telhados, persianas, vidros
    das montras, estufas, viaturas, estruturas publicitárias e outras, milhares de árvores
    derrubadas, pode-se dizer que o caos se instalou um pouco por toda a região, com maior
    incidência no Litoral ficando inúmeras pessoas sem comunicações e 325000 sem energia.
    Tudo isto se pode dever às alterações climáticas. O tempo já não é o que era e cada vez
    irá ser pior, se de facto não forem tomadas medidas mais drásticas e cumpridas por todas
    as nações do planeta.
    Em parte o País colhe melhores resultados na parte do turismo que subiu a sua
    contribuição para o produto interno bruto muito para além dos 10%.
    Ao revés vemos que os efeitos de clima se produzem de forma negativa, na agricultura,
    com a quebra de produção em muitas áreas agrícolas, designadamente na criação de gado,
    cuja falta de pasto foi bem evidente em 2017, resultante da falta de água nos solos, rios e
    nas barragens, onde em parte a água despareceu. Para além disso, a extinção de boa parte
    da nossa floresta, criou sérios problemas ambientais e muito especialmente para a saúde,
    pois o ar que respiramos já não é o mesmo.
    Claro que também é muito bom irmos à praia e termos a água mais quente. É bonito
    vermos os golfinhos aproximarem-se da costa e tirarmos umas fotos para o nosso álbum,
    o pior é o que vem a seguir, pois as águas quentes não só chamam os golfinhos, como os
    tubarões. E esta espécie não será bem-vinda com toda a certeza.
    O clima é de facto responsável por todas as mudanças que se têm vindo a registar com a
    cumplicidade de todos nós. A questão climática tem de ser debatida à escala global,
    porque se assim não fôr, não vale a pena andarmos por cá de bicicleta quando nos outros
    países, a poluição atmosférica nas fábricas, viaturas, resíduos de toda a espécie, incluindo
    os de natureza animal vão contaminar de novo o ar que respiramos.
    Mas se quisermos salvar o planeta, o autor deste artigo promete tomar a iniciativa de
    deixar de andar de carro, passando a andar de bicicleta, pelo menos em zona urbana. Mas
    o que terá de ser feito terá que ser transversal, visto que as medidas não podem ser
    isoladas e muito menos medidas inconsequentes ou sem execução prática.
    Por outro lado, teremos que saber coabitar com as alterações que parecem irreversíveis.
    E para isso, teremos não só que proteger melhor a nossa floresta, como também a nossa
    orla costeira, criando barreiras de defesa das ondas marinhas. O planeamento do território
    terá necessariamente que ser revisto.
    Mas não podemos ficar por aqui, pois se há o risco eminente de voltarmos a ser atingidos
    por furacões, como o que nos assolou, as autoridades governamentais e locais deverão preparar abrigos de defesa urgente, até porque não se sabe o que virá a seguir. E as
    estruturas a edificar não podem ficar só pela costa, porque as alterações tanto se registam
    nas zonas do Litoral como nas regiões do Interior. Apela-se por isso ao Senhor 1º Ministro
    que crie ainda uma rubrica no Orçamento de Estado para o ano 2019, pois as rápidas
    mudanças obrigam a que o Governo pense seriamente e a curto prazo em criar abrigos
    em regiões cujo risco é mais acentuado, não podendo ser descurado o contributo dos
    municípios.
  • Lopes Figueiredo