Viseu, musa de tantos!

Viseu não ficou refém das perfeitas tonalidades das obras de Grão Vasco ou da prosa densa e romântica de Aquilino Ribeiro. Os séculos cedem palcos para as gerações artísticas que florescem no solo da inspiração e, felizmente, temos um jardim de talentos.
No nono número do Escriba, colhemos algumas dessas flores, que exibimos orgulhosamente.

Artista: Paulo Medeiros – Pintura


(www.paulomedeiros.eu)
Título e descrição: Homenageando Grão
Vasco, Técnica mista s/ Madeira 100×100 cm 2003)
A palavra do artista: “Viseu foi a terra que me acolheu já lá vão uns anitos. Viu-me casar e viu nascer os meus dois filhos. Aqui fiz amigos, raros mas bons. Aqui estudei, aqui lecionei. Aqui caí mas também me levantei. Aqui fiz a minha primeira exposição. Aqui aprendi que não podemos esperar que as coisas nos caiam do céu.
Aqui aprendi que as placas sinalizadora com o nome das cidades apenas servem para nos dizer que estamos em determinado povoado.
Deixamos a placa do nosso conforto para trás e logo adiante há outra com outro nome,
outro espaço, com outras vivências, com outras pessoas que também sabem coisas e
conhecem coisas espantosas e que por sinal até te valorizam. Aqui ou em qualquer lugar
o importante é sonhar, preferencialmente sonhar muito.” Paulo Medeiros
Artista: Martinázio – Artes Plásticas

(Casa dos Azulejos, Viseu)
Título e descrição: Vista de Viseu desde Viriato. Obras com tons de azul cobalto e amarelo tradicional.
A palavra do artista: “Percorri alguns locais deste mundo, mas é aqui que encontro o meu conforto e inspiração.
Vivo na cidade que me viu nascer, que adoro e que dá razão à minha arte.”

Artista: Rafael Ferreira – Fotógrafo


Título e descrição: Claustro da Catedral de Viseu
O desejo é que os leitores sintam silêncio harmonia do Claustro da Catedral de Viseu, interesse junto das palavras e do ofício de letras que nos acompanham.
A palavra do artista: “Porque gosto de arte? A resposta é simples, transparente: igual a perguntar
a um cego se deseja ver. Os pintores, os músicos, os actores, os poetas, os criadores de beleza e espanto são grandes amigos, depois das crianças.
Gosto de escrever, imaginar foto poemas onde encontre paisagens, pode ser natural, dramática [ o teatro é arte sublime] dramas reais. Preto no branco, amarelo, ciano, magenta. A vida sem arte é desconforto na alma, paradoxo. Em dias de chuva, quando surgem dúvidas pergunto … se és movimento, porque desejas fixar o tempo.
Respondo muitas vezes, uma questão de memória.” Rafael Ferreira

Artista: Francisco da Paixão – Poesia
Título e Descrição: Senhora da Beira. Um poema duplo: Viseu e o poeta com Viseu.
Rima ABAB em quadras que colocam em diálogo a história, a cronologia, a transformação, a emoção e a melancolia.
A palavra do artista: As mãos da Menina e Moça passaram o testemunho de maternidade para as mãos da Senhora da Beira. Já pertenço a Viseu num batismo de naturalidade. As raízes da minha infância entrelaçam-se debaixo dos meus pés e suportam a árvore do presente. O sotaque beirão é, pois, o reconhecimento de uma identidade. Escutando-me,
localizo-me.
Obrigado, querida cidade.

Francisco da Paixão