Viseu terá um Pólo Arqueológico Municipal em 2019

Depósito temporário foi instalado no início deste mês na Casa do Miradouro, tendo reunido 94 contentores de material arqueológico recolhido desde os finais dos anos 80. Município irá ainda adquirir espólio particular do arqueólogo José Coelho

O Município de Viseu confirmou esta quarta-feira, 18 de Abril, no Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, o seu compromisso de constituir na Casa do Miradouro um “Polo Arqueológico de Viseu”, no qual funcionará uma Reserva Arqueológica Municipal.

A comunicação do Município à Direção-Geral do Património Cultural foi hoje efetuada, na sequência de um diálogo regular que decorre desde o último trimestre de 2017 entre as duas instituições.

Segundo o Presidente da Câmara Municipal, Almeida Henriques, “este centro arqueológico deverá estar organizado, regulamentado e reconhecido até ao final de Março de 2019. Restituiremos também a Casa do Miradouro à sua vocação histórica, destinando-a integralmente para fins culturais”.

Segundo o Vereador da Cultura e Património, Jorge Sobrado, “o Pólo Arqueológico é um desafio irresistível numa cidade histórica tão relevante como Viseu. O centro terá funções estruturantes na política patrimonial da cidade.”

De acordo com o responsável, “o centro terá por principais objetivos reunir os valores arqueológicos do concelho que se encontram atualmente muito disperso e promover a sua salvaguarda, gestão, investigação e valorização pública, nomeadamente na oferta cultural e turística”.

Jorge Sobrado explicou que o centro será desenvolvido com cinco vocações principais: um núcleo museológico, onde será residente a Coleção Arqueológica José Coelho; a Reserva Arqueológica Municipal, com tarefas de conservação, inventário e disponibilização de espólios; um Centro de Documentação e Biblioteca Especializada; um gabinete de apoio à investigação; e um Serviço Educativo Patrimonial.

Numa visita à Coleção Arqueológica José Coelho, o Presidente da Câmara revelou os primeiros passos dados neste sentido. “No último mês, organizámos um depósito arqueológico temporário, autorizado pelo Ministério da Cultura, que permitiu receber em Março passado 94 contentores de material arqueológico, resultante de investigações realizadas desde o final dos anos 80 até à primeira década deste século”.

“É por si só uma conquista importante”, sublinhou Jorge Sobrado, destacando que a partir deste momento “o Município adquire experiência prática de gestão de património arqueológico”.

No conjunto de material recebido no depósito da Coleção Arqueológica José Coelho estão achados resultantes de intervenções arqueológicas no concelho de Viseu das épocas pré-romana (Idade do Ferro), romana, medieval e moderna.

Nesse âmbito, consta o espólio das intervenções promovidas por João Inês Vaz a partir dos finais dos anos 80, nomeadamente nas escavações no Centro Histórico e no Castro de Santa Luzia. Parte deste material será estudado nos próximos meses por uma investigadora/doutoranda da Universidade Nova de Lisboa.

Ainda de acordo com o Presidente da Câmara, o Município irá ainda adquirir neste mês de Abril um espólio particular do arqueólogo José Coelho, entretanto descoberto. Nesse acervo, destacam-se quatro publicações inéditas do “arqueólogo-fundador” de Viseu, três cadernos de notas arqueológicas não conhecidos, desenhos técnicos originais do autor, manuscritos do século XVIII e abundante correspondência e documentação.

O espólio encontra-se a ser inventariado e estudado na Coleção Arqueológica José Coelho.